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  • Juliana Rangel

UMA SOLUÇÃO DE INTELIGÊNCIA

Thiago Bonfim é um empreendedor de muitas viagens. Formado em comunicação social, ele saiu do mercado publicitário para criar empresas.



Com uma espécie de programa de tv, uma rede social ligada ao futebol lançada no Museu do Futebol em São Paulo, e duas fintechs na conta, decidiu lançar um aplicativo de saúde depois que foi mordido por sua gata e entrou em desespero com tanta gente a sua volta dando opiniões sobre os remédios que deveria tomar ou os curativos que deveria fazer. O próprio Google indicou que a mordida da gatinha poderia levar à morte em apenas dois dias. Em um mix de ansiedade e nervosismo, marcou uma consulta com um médico que, a partir de 3 perguntas, concluiu que o empreendedor iria sobreviver, e que não deveria fazer absolutamente nada sobre o ocorrido.

Essa história, que hoje rende algumas risadas, foi o grande estalo para o surgimento da Caren app. Por que ter que esperar dias por uma consulta que poderia ser resolvida através de um chat e no máximo algumas fotografias tiradas pelo celular?

No fim de 2019, a Caren teve sua primeira rodada de investimento e criou parcerias importantes. Conversamos com o Thiago para saber mais sobre a evolução dessa história e as perspectivas para o segmento de healthtech e seguros.

O que é a caren app ?

Hoje, digo que somos um app de inteligência artificial especializado na coleta e no tratamento de dados para a saúde e seguros. A Caren app não é uma coisa só, nós trabalhamos muito bem entendendo as dores dos nossos clientes.

Fundei a Caren em 2018 com o propósito de ser uma solução de telemedicina, só que muito cedo entendi que não ia ser um processo fácil. No primeiro mês que mudei a minha classificação para CEO da Caren app, um representante do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro ligou para avisar que não poderíamos fazer o que estávamos fazendo, porque a telemedicina não era regulamentada.

Como nós queríamos que a Caren fosse vista como uma extensão do conhecimento dos médicos, demos um passo para trás e focamos em 2 momentos da Telemedicina, o pré-atendimento, através de uma solução de triagem online e o pós-atendimento, fazendo o monitoramento de pacientes crônicos.

Nossos produtos são utilizados para triagem hospitalar, monitoramento de pacientes e prontuário eletrônico. No início de 2020, tivemos um ponto de virada que foi o lançamento do sistema de autoavaliação para diagnósticos de Covid-19, que atendeu mais de 2 milhões de pessoas nas primeiras 48 horas.

Mas, durante o decorrer da nossa trajetória, fomos atraídos pelo mercado de seguros de vida. Hoje, nós atuamos em ambos os setores. Oferecemos modelos preditivos, coletamos dados, geramos alertas de comportamento fora do padrão, fazemos DPS online, sugestões de aceite e declínio de apólices, reconhecimento facial, reconhecimento de emoções, entre outras coisas.

No caso dos seguros de vida, normalmente é um processo muito demorado para as seguradoras. Com o nosso sistema, conseguimos dar uma visão muito mais clara para o subscritor, gerando protocolos inteligentes de declaração pessoal de saúde, e oferecendo a possibilidade de criar perguntas adicionais de forma automática. Nosso sistema já diz qual é o perfil de risco do cliente em potencial e se a empresa deve ou não aceitar essa contratação.

Qual foi o papel da Caren app para minimizar os riscos da covid-19?

Acho que tivemos um papel muito significativo, principalmente na chegada da pandemia no Brasil. Lançamos a solução na quarta-feira da primeira semana de isolamento. Todo mundo estava com medo e não sabia o que fazer. As pessoas tinham uma série de preocupações, se sentiam inseguras de sair de casa ou encontrar familiares.

Lembro que lançamos a solução às duas da tarde, e, quando deu meia noite, tínhamos atendido mais de 300 mil pessoas. Na sexta-feira, 48h após o lançamento, nós já tínhamos atendido mais de 2 milhões de pessoas em mais de 10 países.

Eu, que achava que só a minha família e meus amigos iam usar, vi a Caren viralizar pelo whatsapp, amigos recebendo o link por outras pessoas, e podíamos ver tudo isso em realtime pelo Google Analytics.

Acredito que naquele momento de fragilidade fomos muito importantes, porque fomos a primeira solução a ser lançada. Vale ressaltar que pegamos um protocolo do Ministério da Saúde e optamos por seguir o que o Governo Federal tinha exposto. Oferecemos nosso serviço em uma plataforma muito simples e fomos selecionados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Para quem é a Caren?

Lá em 2018, nós acreditávamos que os nossos principais clientes eram clínicas e hospitais, hoje entendemos que os nossos clientes são planos de saúde e corretoras de seguro de vida.

Gostaria muito de acreditar que os hospitais estão abertos para trabalhar com a gente, mas ainda acho muito difícil. Às vezes, dentro de redes hospitalares, uma só pessoa vê o valor e ela precisa convencer toda a diretoria, então fica mais complicado. Os players dos mercados de plano de saúde e seguro de vida entenderam claramente o valor da nossa solução, seja botando uma lupa sobre pacientes e beneficiários, seja para agilizar os processos internos.

Quem são seus clientes hoje ?

Por sermos uma empresa do mercado b2b, não temos clientes pequenos. Nosso primeiro cliente foi o IRB Brasil RE, que é a maior resseguradora do Brasil. Hoje atendemos o IRB Brasil RE, FAPE, Icatu Seguros, fazemos todo monitoramento de covid-19 do Município de Resende, temos uma parceria com a Unicamp e OMS (Organização Mundial da Saúde) para fazer monitoramento de gestantes, além de atender o Hospital de Clínicas da Unicamp.

Vocês estão praticando a inovação aberta?

O conceito de inovação aberta não se aplica no nosso caso. Nós somos fornecedores, é um pouco diferente, nós trazemos inovação para empresas. Entendemos as particularidades de cada negócio e agimos estrategicamente no problema, oferecemos inteligência artificial e automação de processos, e isso já tem um impacto muito grande.

Nós temos produtos muito claros, mas, por outro lado, é comum que um player grande traga um conhecimento novo do setor ou da empresa. E é claro que por ainda sermos uma empresa pequena, estamos sempre abertos a adaptação.

Qual foi a importância de ter se juntado ao Templo para o desenvolvimento da Caren?

Esse é um processo bem legal de contar. Durante a pandemia, começamos a ser procurados por muitas empresas e investidores, e, durante as minhas conversas com o Herman e com o Gustavo, começamos a pensar nesse processo de captação e o alinhamento com o time do Templo foi definitivo para viver esse momento. Para mim, essa aproximação foi muito importante porque me senti amparado, me trouxeram uma tranquilidade de estar navegando na direção correta.

Foi muito legal ter a oportunidade de trabalhar com mentores que já ocupavam posições chave em empresas de tecnologia, como o Xavier Leclerc, CEO da MOX Digital e que foi sales manager do Facebook na França, o Marcelo Câmara, que é Head de AI na Certisign e ex diretor executivo do Bradesco, e o pessoal da Di Blasi Parente.

Eu não teria conseguido tocar essa rodada de captação sem um parceiro como o Templo. Do ponto de vista do empreendedor, é muito importante não se sentir sozinho e foi por causa do Templo Ventures que eu consegui definir um caminho mais favorável, tanto na parte comercial, quanto na parte das rodadas de investimentos e captações.

Como você vê o mercado de healthtech hoje no brasil?

Quais são as suas perspectivas para o futuro da medicina?

Acho que é um momento muito promissor para criar soluções de saúde no brasil. Em 2018, quando decidi investir na Caren eu sabia que o timing era muito importante. Foi o meu maior risco como empreendedor, mas hoje sei que foi a decisão correta.

Estamos falando de saúde, não tem muita margem pra erro, mas hoje nós já estamos à frente de algumas empresas nas avaliações de aceite e declínio de seguros, e de diagnósticos.

Apesar do momento ser muito promissor para essas soluções, vejo que também é um círculo que está se fechando. Grandes players da saúde já estão se voltando para esse mercado e as oportunidades estão reduzindo.

Eu brinco com o meu time porque eu falo que o que eu vendo é performance e resultado. A Caren não é um RP, e também não é chatbot. É uma solução de inteligência .

Na Caren a gente já entendeu que somos b2b e já entendemos quem são os parceiros pra quem entregamos valor. Queremos seguir essa linha e intensificar nossas relações. Em 2023 provavelmente teremos uma grande autoavaliação como empresa, , mas até lá seguimos focados em crescer na parte comercial e entregar cada vez mais valor para os nossos parceiros.

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